Escrito em 29/07/2015, 14:49

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Para marcar os 90 dias do massacre do dia 29 de abril no Centro Cívico, servidores da educação pública fundamental, básica e do ensino superior, estudantes e integrantes de movimentos sociais e sindicais organizaram atos públicos em diversas cidades do Paraná nesta quarta-feira (29/7). Há três meses, centenas de trabalhadores e estudantes ficaram feridos em uma ação policial ordenada pelo governador Beto Richa (PSDB) e do então secretário de Segurança Pública, Fernando Francischini (SD). Eles protestavam contra a aprovação da lei 18.469/2015 que promoveu um saque a previdência pública.

Os 90 dias do massacre coincidiu com o aniversário de 50 anos do governador Beto Richa, o que fez com que os atos nas cidades paranaenses tivessem ‘homenagens especiais’. Em Curitiba aconteceu um café da manhã em frente a residência do tucano. Já em Cascavel a concentração foi no calçadão da Avenida Brasil, onde manifestantes levaram faixas e cartazes, assim como artefatos recolhidos como cápsulas de balas de borracha e das bombas de gás lacrimogêneo disparadas contra os trabalhadores no fatídico dia que já está marcado como um dos mais tristes da história do Paraná.

Panfletos foram distribuídos aos pedestres e motoristas, que prontamente respondiam com um ‘bunizaço’ em apoio ao movimento. “O que aconteceu naquele dia (29 de abril) não foi um confronto, foi um massacre. Não houve reação alguma contra aquele aparato de guerra que foi montado. Uma data triste a ser lembrada, mas que de maneira alguma pode ser esquecida para que atrocidades não voltem a acontecer. O 29 de abril ficará na memória e será condenado não somente por nós, que estivemos no Centro Cívico, mas por toda a sociedade paranaense”, comentou Gracy Kelly Bourscheid, presidente do Sinteoeste (Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos em Ensino Superior do Oeste do Paraná).

Para José Paula Tasca, diretor do Sinteoste, a manifestação teve o intuito de relembrar as atrocidades e de como o governo trata seus servidores, além de estreitar os laços com a população no fortalecimento da luta contra a violência, a tirania e o abuso do poder. Além do Sinteoeste estiveram presentes representantes de outros sindicatos de categorias do funcionalismo, como a APP-Sindicato, Adunioeste, Sindarspen e SindSaúde. Estudantes da educação básica, além de integrantes do DCE (Diretório Central de Estudantes) da Unioeste se juntaram ao ato coordenado pelo funcionalismo público.

Desde que a lei 18.469/2015, que gerou o massacre do Centro Cívico, fora sancionada em 30 de abril, o governo já saqueou mais de R$ 700 milhões da poupança das futuras aposentadorias dos servidores. No dia 21 de julho, o Fórum dos Servidores Estaduais (FES), protocolou junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) solicitando a impugnação da Lei.

Crédito: Júlio Carignano